quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Das serras e do ar

(durante o II Fórum "O ensino da arte nas séries iniciais", em Serra Negra, SP)

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Dá para morrer de azul quando o céu está mais baixo que nós. O pássaro maior voa em círculos e os pequenos dançam alças de moébius desenhando no asfalto. As vezes, o som de um motor.

Existe uma cumplicidade no silêncio que só os que escutam enxergam.


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Ela tenta encontrar uma palavra para aquele tom de verde e tateia a realidade de que é uma mentira acreditar que todas as coisas podem ser nomeadas.

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O muro foi caiado e a água o lavou. Outro pássaro voa. Como uma semínima, talvez.

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Quando é noite, pintam amarelas lanternas distantes marcando um caminho que some atrás do escuro. E então a cidade se faz como plâncton, bioluminescente.

Na luz, tudo desaparece. No dia, só duas manchas de cal e telha enquanto as nuvens refletem o chão. Uma árvore cresce, inclinada mas não vemos vento algum.

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No ar parado, ele desenha e ela tenta achar em palavras o desenho que não consegue fazer.

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Ela pensa nas montanhas do país da infância, que mora no Tempo do Sonho, aquele que nunca viu. Não há carvalhos aqui e se vê uma pequena estrangeira tentando nomear quais seriam nestas árvores, as sagradas.

E deseja aprender com o que sonham as montanhas.

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Ela aprendeu a amar um homem com a beleza das serras que o fizeram brotar. As vezes, dá para vislumbrar os gigantes dormindo debaixo de cobertores de verde, e azul, e gris, e esta terra costura uma distância que leva para a casa onde seu homem nasceu, bordando retalhos de inomináveis tons vegetais.

Quando o vê dormir, suspeita que seu homem nasceu da terra, ele mesmo uma serra dormindo em azul e gris.

e então a mulher acredita que sentir falta seja um nome de montanha
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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Visões de primavera...

Voltei...

Hoje eu completo meu trigésimo aniversário. E com dez anos a mais do que o mais louco plano pretendido, e ainda viva, celebro.

A cada dia aprendo mais sobre o que torna o mundo um lugar válido.

Amor, solidariedade.

Esta semana encontrei a fabriquinha que faz as camisetas de protesto que eu usava dez anos atrás. E me redescobri ainda sendo um pouco bicho grilo, um pouco comuna, um pouco apaixonada por Chê.

Me descobri ainda sendo aquela garota de boina, roupa preta e "olhos eternamente úmidos de tentar entender todas as coisas".

E quer saber? Gostei de ver aquilo.







O bonde segue. E o blog volta. É primavera, e eu sou criança para brincar de beleza.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Postagem Coletiva - Criação com apego


Sete anos atrás, nesta mesma hora, entre o dia 23 e o dia 24 de maio, eu estava na banheira da Casa de Parto do Sapopemba, enquanto eu, meu companheiro e meu filho fazíamos nosso caminho no mundo como mãe, pai e filho. Atrasei um pouco a postagem só para poder celebrar essa passagem.

Não sabíamos o que era Attachment Parenting.

Só o que a gente sabia que André não nasceria em hospital, onde seria só mais um número. Nossa casa não estava pronta, por isso o parto domiciliar ficou fora da parada. Mas procuramos e procuramos para que ele nascesse fora de um hospital. E quanta gente olhou feio, chamou a gente de louco ou disse que tínhamos muita coragem. Nenhuma dessas coisas, na verdade. Nós fizemos uma escolha naqueles meses antes do pequeno nascer. De que nossa vida seria pautada pelo amor, não pelo medo.

Cama compartilhada foi um caminho natural. Porque facilitava a amamentação, e a gente podia dormir melhor, nós três.

Amamentar não foi uma opção. Nunca vi como uma opção, e decidi que não haveria mamadeiras, bicos chupetas ou coisas assim perto de nós. Amamentar era a única forma que eu aceitaria de alimentar meu filho, e nada ficaria no nosso caminho. André desenvolveu alergia à proteína do leite de vaca mesmo sem nunca ter consumido LV. O meu consumo e um hidratante a base de leite desencadearam o processo que poderia ter matado meu filho. E enquanto os desinformados diziam que meu filho emagrecia porque minha teimosia fazia ele passar fome, eu tive a sabedoria de seguir meu instinto, rosnar e defender a cria. E foi assim que nossa história se tornou a história de amamentação prolongada, até que em algum momento entre 3 anos e 8 meses e 4 anos ele largou o peito. Natural e gradualmente, sem traumas para nenhum de nós dois. E sem que ele tivesse qualquer sequela da alergia que devastou seu corpinho naqueles meses. Lembro do alívio da equipe que cuidou dele por eu ser tão defensora da amamentação. Sou mesmo radical nisso: se você visse o que eu vi naquele ambulatório de alergia e crescimento, seria radical também.

E desde antes dele ter um mês, o sling chegou e ficou. Muito mais prático, muito mais aconchegante, muito mais confortável para todos. Mas sete anos atrás era ainda mais incomum do que hoje. E a gente chegou a enfrentar gente gritando e xingando por causa do sling, além das perguntas mais idiotas... E eu me lembro do meu companheiro dizer "você carregou ele por nove meses, e eu tenho a chance de carregar ele portoda a vida". Que aventuras vivemos... e em quase todas as fotos, daquele primeiro mês até uns três anos de idade do pequeno, estão pai e filho atados um ao outro, em um abraço de segurança e apego.

O mais engraçado é que nós seguíamos a "cartilha" da Criação com Apego sem nunca ter pensado no assunto. Por um motivo muito simples: nós fizemos uma escolha. Deixar que o amor desse o tom. Que nossa vida se pautasse não no que esperavam de nós, mas o que sabemos ser a coisa certa. Porque a real, mesmo, é que o Attachment Parenting, a Criação com Apego,ou como vc quiser chamar, é uma questão de Bom Senso. De se basear noque nossa natureza, mamífera, de bicho gregário e de sangue quente, nos pede. De deixar de lado o que a visão eurocêntrica, cheia de moralismos vitorianos, manda que seja a criação de um filho.

Cometemos erros. Falhamos as vezes. Mas então eu descubro que meu filho não sabe cruzar os braços. Porque nunca precisou se fechar para o mundo. Porque o "não" que ele escuta não tem juízo de valor. E de noite, escuto alguém saindo de sua caminha e vindo enlaçar nossos pescoços. Porque meu filho não tem vergonha de amar, de beijar, de rir, e eu sei que estou fazendo um bom trabalho...


sexta-feira, 9 de março de 2012

Missão da semana - ISWU

Lembram do ItStartsWithUs? Se não lembra,clique aqui. E aqui vai a missão desta semana... 
 
A Inspiração

"Você jogar pequeno não tem serventia para o mundo. Não tem nada de iluminado sobre se encolher para que as pessoasnão se sintam inseguras a sua volta." 
- Marianne Williamson 

 
  A Missão

Esta semana, use 15 minutos para fazer algo épico.

Todos temos algo especial para dar ao mundo. Não tenha medode compartilhar isso. Faça algo épico essa semana.

Seja quem você é e  seja isso bem.
Se souber se comunicar em inglês, mesmo que seja do google translator, compartilhe aqui o que fizer - http://bit.ly/ISWUepic

quinta-feira, 8 de março de 2012

Teste sobre violência obstétrica - Dia Internacional da Mulher - Blogagem Coletiva

Divulgando aqui, porque é importante.

Violência obstétrica é um pesadelo. Eu, que tive meu filho com total respeito e cuidado, em um parto respeitoso e não hospitalar, não tive essa mesma sorte ao nascer. Nasci mal, graças ao desrespeito à quem em dava a luz, uma menina ainda. Ouvi de muitas irmãs minhas (porque toda mulher é minha irmã) relatos assustadores.

Uma realidade que temos que mudar. Uma bandeira que eu levanto, sempre. E uma das formas de mudar é a informação. É sabermos mais do problema para poder resolver, para ter armas para lutar. Por isso tenho um grande respeito pelo trabalho da Cientista que virou mãe. E recomendo a todos a leitura do post dela, que fala disso com uma clareza que me falta. (E meu mundo feliz é feito de artistas e de cientistas... e eu assumo que é Marie Curie a mulher que ultimamente tem sido minha nova musa... mas isso é outro assunto).

Então, junto com o Parto no Brasile  o Mamíferas, começa hoje o Teste da Violência Obstétrica, uma pesquisa informal sobre o tema. Teve filhos? responda. Não teve, passe adiante o link. É só responder as perguntas e clicar em submit. Se tiver dificuldade em visualizar o teste, clique aqui para responder.






Fica também o convite para participar numa pesquisa, essa de caráter mais formal, sobre violência no parto.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Missão da semana -25/01

Lembram do ItStartsWithUs? Se não lembra,clique aqui. E aqui vai a missão desta semana...

A Missão

Esta semana, use 15 minutos para conhecer alguém.
 
Nossa missão esta semana é simples. Todos nós temos interações casuais com pessoas através da semana ou temos algumas ligações para fazer.

Vá um passo além.




Pegue algum tempo para simplesmente conhecer alguém melhor.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

It Starts WIth Us - mudar o mundo em 15 minutos

Já faz um tempo que me apaixonei por esse projeto e tem sido um prazer fazer parte dele.

O site define assim a ideia por trás do projeto It Starts With Us:


"O objetivo do ItStartsWith.Us é construir uma comunidade global de indivíduos focados em criar um impacto positivo na vida das pessoas a sua volta.

Cada um e todos nós temos a habilidade para mudar o mundo tocando vidas desta forma. E quando nós ouvimos histórias sobre as coisas positivas que outros estão fazendo, nos tornamos mais atentos das oportunidades que temos para fazer a diferença para as pessoas que nos cercam."

A cada semana, as pessoas que se inscrevem recebem um email com uma proposta que leve 15 minutos (as vezes menos) para ser alguém bacana. Para fazer a diferença no mundo, um pouquinho de cada vez.

A cada semana, quando o email chegar, vou postar aqui a tradução da proposta... se você souber inglês, entre no site, participe do fórum, se inscreva para receber os emails. Mas caso contrário, vamos fazer nossa parte...




 Missão da semana:


Esta semana, use 15 minutos para sentar e escrever uma carta para alguém que é especial para você.
Existe algo sobre um bilhete escrito a mão que é mais significativo e amável. Vamos retornar um passo essa semana e colocar algum amor em umbilhete para alguém que amamos.